segunda-feira, 30 de julho de 2007

Africa do Sul - Kruger Park - Perto do "Olifants Camp"

As probabilidades de numa viagem a Africa ficarmos ligados a um animal selvagem é capaz de ser de 1 para 1 milhão, mas aconteceu-me. Por mera casualidade do destino, o meu caminho cruzou-se com o de uma dócil hiena que me encantou pela confiança que demonstrou na nossa presença. Pessoalmente, nem tinha uma simpatia particular por hienas, atendendo ao patamar que ocupam na hierarquia da cadeia alimentar, mas, depois deste episódio, fiquei completamente rendida. Numa madrugada, em que saímos cedo para explorar a zona à volta do"Olifants Camp", passei por uma estrada de terra batida, numa zona bastante isolada. A determinada altura, pareceu-me ver um vulto deitado na berma da estrada. Via-se só a cabeça. Primeiro, ainda pensei que se tratava de um animal morto, pois não se mexia. Parei o carro. O corpo do animal estava metido debaixo da estrada, naquilo que percebi mais tarde ser um tubo de escoamento das águas da chuva. Parecia que respirava. Vi que se tratava de uma hiena. Estava no máximo a 2 metros de mim, imóvel, sem se perturbar com a minha presença. E depois, ouvi. Ouvi o barulho típico de crias recém nascidas, que, na realidade, nem era muito diferente do barulho que faziam as crias dos pastores-alemães que tive em criança. E esperei, em silêncio.A dada altura, a hiena levantou-se, olhou em redor. Estava tudo calmo. A minha presença pelos vistos não a incomodou. Julgo que o problema era mesmo a existência de predadores.Entrou na toca improvisada e... ...segurou em duas crias, recém nascidas e colocou-as perto de si. E as crias aninharam-se e dormiram em cima do dorso da mãe.Era delicioso ver a forma dócil como esta hiena tratava as crias, as protegia, zelava por elas e lhes dispensava toda a atenção que precisavam. Enquanto estive no "Olifants Camp", ao fim do dia, antes das 6h da tarde, hora limite para recolher aos acampamentos no Kruger, passava sempre por aqui. De todas as vezes que me aproximei com o carro ficou sempre imperturbável. Acho que nunca se sentiu ameaçada. No último dia olhou-me nos olhos, com um ar dócil, sem medo, e eu tirei esta fotografia. Mais tarde, perguntei a um guia no acampamento se era normal as hienas não recearem o homem. Confirmaram-me isso e mais, a toca feita por baixo da estrada destinava-se a procurar protecção junto dos seres humanos porque as hienas não os receiam. Deste modo, conseguia evitar os predadores, leões, chitas, leopardos e cães selvagens, porque estes receiam o homem e normalmente não se aproximam da estrada. Guardo com muita ternura esta minha passagem pelo Kruger e lembro-me muitas vezes deste episódio que me encantou.
Kruger Park - perto do "Olifants Camp" - Fotogrs: CRV

5 comentários:

Olga disse...

Oh, TI, this is a very emotional post. I loved it, the pictures are so cute... I saw hyenas in Colorado and they truly don't seem like very nice animals and the reputation they have doesn't help either ;), still this post shows something different. After reading through what you wrote I get the idea that the life for them is not easy either and they have their own rules for survival... The babies are so cute and the mother actually is also beautiful!I like the color of her fur and it is amazing she fell asleep with her kids in your presence. How long did you have to wait? Normally, mothers are very protective of their offspring and can be very aggressive. You were brave to take these pictures ;) You had so many adventures in Kruger, I envy you a little, but I am glad that it is you who was here, I still haven't met a person who knows so much details about her travels but also most importantly can appreciate all the beauty of the wilderness. Lots of love from Gdansk and to tell you the truth I miss Portugal so much :(...

Viagens pelo Mundo disse...

Olga, this was MY Kruger’s experience. I’ll never forget this hyena. The idea I had about these wild animals changed completely after seeing this protective mother. We stayed 3 days on the “Olifants Camp”, which is about 15Km from this desert road where we “discovered” this hyena. Actually she didn’t care about us, she didn’t even look at us and I was, inside of the car, at about 2m from her. All the time she acted as if the car was invisible, and she took care of the babies without any fear. It was funny because sometimes she stood up (and I thought it was because of us, but it wasn’t) and looked around, I guess to see if there were any predators. I stood there, on the first day, more than an hour, I took many pictures and I was thrilled with the experience. On the next morning, the first thing I did was to drive again to that place to see if they were alright, after the night. I really became attached to this hyena. On the last day she finally looked at me with sweet and tender eyes, not showing any anxiety whatsoever nd I took that last picture. I loved this close encounter. A hug TI

Olga disse...

This is a lovely story, TI. definitely a perfect memory to come back to. It is great you have it in your blog now. I recently more and more think that sometimes there are too many things going on in our busy lives to remember everything in detail.. so a blog is such a great tool to treasure and cherish every memory and come back to it.

Viagens pelo Mundo disse...

You are completely right Olga. This travel blog was made with the spirit of being a family photo album. Actually it’s an easy way to see our pictures. Another thing is that the kids can show the pictures to their friends whenever they like (which already happened many times). So I guess, mainly this is supposed to be a “book” of memories to record those special moments that some years from now kids will certainly like to remember and that we usually forget with time. So, at the end, this was the way I found to preserve those memories. A modern way, let us say. Love TI

Viagens pelo Mundo disse...

Olá Ana,

Seja bem vinda e muito obrigada pelo seu simpático comentário. Esta experiência foi de facto especial e fiquei rendida a esta hiena. Apareça quando quiser. Será sempre um prazer.
Um abraço
TI